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ENTREVISTAS

Maxwell Andrade

 

O atual lateral esquerdo do Barcelona nos concedeu uma entrevista exclusiva e demonstrou sua simpatia e confiança na importância da Fisioterapia Desportiva.

 

Maxwell é nascido no Espírito Santo, e com o seu talento nato do futebol, logo destacou-se nas categorias de base do Cruzeiro. Não demorou muito para chamar a atenção dos grandes empresários da bola, e tão cedo foi transferido para a Europa pelo seu agente Mino Raiola.

 

Hoje, o atleta já brilha nos maiores palcos do mundo e atualmente, é o lateral esquerdo do Barcelona, do também brasileiro Daniel Alves.

Maxwell é um dos jogadores brasileiros que saiu cedo do Brasil e foi jogar na Europa, onde desenvolveu e amadureceu o seu futebol brilhante. Logo cedo, passou 5 anos no futebol holandês, no tradicional time do Ajax, onde conquistou inúmeros títulos e prêmios, inclusive o de melhor jogador na Holanda em 2004.

Na temporada européia 2006/07, foi transferido para a Internazionale de Milão após passar quase 1 ano afastado dos gramados por conta de uma lesão séria no joelho e duas cirurgias. Na Itália, foi titular em quase todos os campeonatos que participou e sagrou-se campeão italiano por três temporadas consecutivas.

 

Em julho de 2009, o Barcelona demonstrou seu interesse ao jogador, e concretizou a sua contratação. Desde a sua chegada, Maxwell já conquistou a Super Copa Espanhola, a Copa da UEFA e a Copa do Mundo de clubes da FIFA. Sempre jogando acompanhado do seu grande amigo e companheiro Zlatan Ibrahimvic, onde pela 3ª vez, estão atuando juntos no mesmo time.

 

Maxwell já atuou pela Seleção Brasileira Pré-Olímpica, juntamente com Robinho, Diego e Maicon, em 2004. Pela Seleção principal, já obteve duas convocações para a Copa América.

 




1 - Como foi sair muito novo do Brasil direto para o futebol europeu?

 

Sempre fui louco por futebol desde criança, e meu sonho era ser um grande jogador e me destacar. E logo nos primeiros anos como profissional, no Cruzeiro, tive a oportunidade precoce de sair do Brasil e o meu sonho se realizou, o que me fez amadurecer muito como profissional e também como ser humano.

 

 

2 - Quais as maiores dificuldades que você encontrou com a sua mudança para a Europa, ainda muito jovem?

 

Como fui direto para o Ajax, da Holanda, o idioma foi a primeira barreira que encontrei num país totalmente diferente do nosso. A alimentação também foi uma coisa que me fez sentir muita falta do Brasil e da nossa comida, que é incomparável. Em relação ao futebol, o estilo de jogo na Holanda é extremamente diferente, mas eu consegui me adaptar com o tempo.

 

 

3 - Quais diferenças você percebe entre a preparação física realizada no Brasil e na Europa?

 

Hoje em dia a troca de informações e experiências faz com que a preparação seja muito parecida, mas percebo que cada país ainda mantém alguma tradição em certos trabalhos. Na Itália, por exemplo, mais especificamente na Inter de Milão, onde joguei por 3 temporadas, o trabalho é mais voltado a exercícios de força, potência e corrida intervalada. Já na Espanha, aqui no Barcelona, as atividades são mais específicas ao trabalho com bola no campo.

4 - Nos clubes europeus, nos quais você trabalhou (Ajax, Inter de Milão e Barcelona), os jogadores são submetidos a treinamentos específicos para prevenção de lesões? Qual profissional realiza esse trabalho?

 

O clube que mais se preocupa com os trabalhos de prevenção, entre os que conheço, é o Barcelona. E normalmente quem os realiza é a equipe de preparação física.

 

 

5 - Qual foi a lesão mais grave que você sofreu? Quanto tempo você permaneceu afastado do futebol?

 

Eu tive 2 lesões seguidas no joelho direito que me mantiveram em recuperação por 1 ano e meio no total. A primeira foi uma ruptura completa do ligamento cruzado anterior e logo depois sofri uma fratura por stress da patela do mesmo joelho.

 

  

6 - Como foi o processo de Fisioterapia? Por que você veio ao Brasil se tratar?

O processo foi difícil e desgastante. Em conjunto com o meu empresário, o Mino Raiola, decidimos ir ao Brasil para procurar um centro de referência em Medicina Esportiva. O clube, na época o Ajax, aceitou e me permitiu que eu me reabilitasse no Brasil. Tanto antes como logo após a cirurgia, passei por incansáveis sessões de fisioterapia intensa, hidroterapia e propriocepção.

 

 

7 - No seu retorno às atividades, foi difícil a sua readaptação? Os fisioterapeutas te ajudaram nesse processo?

Foi muito difícil o retorno pois ainda sentia muito incômodo e insegurança nos movimentos. Com certeza, a ajuda dos fisioterapeutas foi fundamental, tanto no tratamento do joelho quanto nas informações que me tranqüilizavam em todo o processo de reabilitação.

 

 

 

8 - Atualmente, você está se prevenindo contra o aparecimento de novas lesões? O que você faz para isso?

Aprendi que o trabalho de força e exames periódicos são muito importante, mas acredito que o mais importante é estar atento ao próprio corpo e não deixar que uma dor passe despercebida, e entender que a dor é um aviso que algo está errado. Um sinal que esteja acima de tudo. E estar feliz e fazer com prazer já são grandes prevenções também. 

 

 

9 - Como você enxerga a evolução da Fisioterapia aplicada no Futebol?

Cada vez mais, percebo a evolução tecnológica dos aparelhos e instrumentos utilizados na Fisioterapia, que são essenciais para prevenção de lesões ou mesmo reabilitação. Mas, penso também que é necessário que os profissionais busquem cada vez mais o conhecimento e diferenciação profissional.

 

 

10 - Qual a mensagem que você deixa para os atletas que estão começando a fazer carreira, em relação à prevenção de lesão?

Como falei antes, o mais importante é estar jogando feliz e com prazer. Isso é o mais importante. E, é claro, sempre estar atento às dores do dia-a-dia de qualquer atleta e entender a importância do treinamento e das orientações dadas pelos profissionais.